17/01/2005 12:25
Protesto contra projeto de lei que pretende financiar cura para gays sacode centro do Rio
A avenida 1o. de Março, coração do Rio de Janeiro, estremeceu com a indignação de gays, lésbicas e transgêneros que ocuparam as escadarias da ALERJ para protestarem contra o projeto da bancada fundamentalista, que vem tramitando na Assembléia Legislativa carioca e que pretende destinar verbas do Estado para grupos que pretendam 'curar' gays. A proposta infelizmente recebeu vários pareceres positivos das comissões de apreciação, em sua maioria chefiadas por parlamentares testa-de-ferro de evangélicos e católicos, e será votado hoje (quarta, 8/12) às 16 horas na ALERJ.
Corrente Gay
Portando bandeiras do arco-íris, cartazes e faixas com as palavras de ordem tais como doença é a homofobia ou ainda nossa sociedade é laica, abaixo o fundamentalismo, pessoas de todas as idades, homossexuais e simpatizantes, participaram do evento puxando slogans, vaiando, aplaudindo os discursos e posando para um batalhão de fotógrafos e cinegrafistas da grande imprensa.
O protesto que começou britanicamente ás 15 horas e só foi terminar ás 17 horas da tarde de ontem, conseguiu um feito raro na história da militância homossexual: organizado pelo grupo Arco-Íris, uniu em torno de um só objetivo todas as ongs GLBT do Rio. Estavam lá o grupo Atobá, O grupo Triangulo Rosa, o COLERJ, o grupo Felipa de Souza, ABL, Dono da Terra, AGENT, Água Viva, ANTRA, o CERCONVIDH, MGTT, além de representantes do grupo Dignidade de Curitiba.
Algumas ONGS simpatizantes como o Viva Rio e a ABIA também enviaram seus representantes. Mas as duas presenças mais charmosas da tarde foram a do antropólogo Peter Fry, um dos fundadores do movimento homossexual brasileiro (ainda nos anos 70) e a de Lucinha Araújo (foto), mãe do cantor Cazuza, diretora da ong Viva Cazuza que atende crianças HIV positivas.
Dona Lucinha, que pela primeira vez participou de um acontecimento promovido pela militância homossexual, estava feliz por participar do ato e prometeu integrar outras manifestações pró-cidadania gay deveriam fazer projetos sérios, que proporcionassem verbas para tratar dos pacientes que sofrem de AIDS, ao invés desse projeto bobagem declarou emocionada em seu discurso.
Convocação
Os integrantes da Frente Parlamentar Pela Livre Expressão Sexual, porta-vozes do segmento homossexual na política, estavam ali representados pelos deputados Carlos Minc, Heloneida Studart e Gilberto Palmares, e prometeram que hoje, quando for votado o projeto na Assembléia Legislativa Estadual (Alerj), vão fazer todo o possível para derruba-lo, nós estamos costurando uma oposição ao projeto, e vamos ganhar essa parada afirmou Minc.
O deputado Gilberto Palmares convocou todos os presentes a marcarem presença hoje, ás 16 hs na galerias da Alerj durante a votação, para fazer pressão e mostrar aos parlamentares que o segmento gay é politizado e está engajado na luta pela sua cidadania.
Uma outra presença importante foi a dos representantes do Conselho de Psicologia do Estado do Rio, que desde o início se posicionaram contra o projeto, declarando publicamente que homossexualidade não é doença, mas sim orientação sexual. Além de comparecerem, seus integrantes trouxeram faixas, cartazes e discursaram acusando de charlatanismo qualquer tentativa de curar a homossexualidade.
Muitos casais jovens de garotas e rapazes aproveitaram a ocasião para, de uma maneira muito elegante e delicada, exibirem seu afeto. Andando de mãos dadas, ou abraçados aos seus namorados vários casais posaram para as fotos.
Agora vamos torcer para que o projeto não seja aprovado, se isso acontecer, a militância carioca termina o ano com duas grandes vitórias: a primeira de ter sido aprovada definitivamente a lei que dá benefícios a parceiros de funcionários públicos homossexuais, reconhecendo sua condição de cônjuges (saiba mais), a segunda será a rejeição desse projeto insano que nunca deveria ter sido criado.
enviada por Lilith Storm
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